Vestígios e Falência de nossas Festas, Cultura e Tradições (1.982)

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Porta voz, desta cidade pura,

a Calouros, rebusca à memória,

resíduos e vestígios da cultura,

festas e tradições de nossa história.

 

Oferendas a São Sebastião,

Sô Orestes, leiloando caridade,

footing de mocinhas no Fundão,

Congadas, uma eterna saudade.

 

Roda, gira, ginga o povo,

sapateia ao luar,

não mate de novo

a quem não se quer enterrar.

 

Exuberantes, festas escolares,

com corda, pescoço e Tiradentes,

reuniões de amigos nos lares,

nas esquinas, nos bares, nos salões,

nas colinas, nos altares, nos corações.

 

Debruçar, debruçar...

e pescar piau da ponte,

assuntar-se de boatos na sapataria,

cantar a chuva que rega a fonte,

enxugar-se no sol do novo dia.

 

Roda, gira, ginga o povo,

sapateia ao luar,

não mate de novo,

a quem não se quer enterrar.

 

Na barbearia do Sô Nilo

cantores, platéia e seresteiros,

um banjo, um violino tranqüilo,

violão, afoxé e pandeiros.

 

Ateneu, cinema e jornais,

comícios com flor e passarinho,

Turunas, Sapeense de saudosos carnavais,

velhos costumes em desalinho.

 

Roda, gira, ginga o povo,

sapateia ao luar,

não mate de novo,

a quem não se quer enterrar.

 

escaneado do livro de Sebastião Nery
"Folclore Político - 1950 histórias", à página 65.

Livro do Sebastião Nery - página 65