Sempre

 

Há sempre um espaço,

no canto, no quarto, no coração a acolher.

Há sempre um parte e reparte

no sentimento da gente.

Há sempre a esperança

na cor que se imagina,

na aquarela que se pinta,

prá enfeitar paredes

da nossa ilusão e realidade.

Há sempre um motivo

para embebedar-se, abster-se ou omitir-se,

e deixar as estrelas correrem livres.

Há sempre os fantasmas nossos,

perfeitos, inacabados,

assustados e amigos,

idiotas e sinceros,

a maldizer e louvar

os desencontros, as ressacas,

as solenes juras de bem amar,

a distância outono-primavera,

dos meridianos e latitudes.

 

Há sempre um novo dia,

de abraçar-se, beijar-se,

E diluir-se em volúpias.

 

Mas mesmo que não haja sempre,

Ficarás sempre.