Pulsar e viver de um guidovalense Ausente

 

Eu quero bem perto a mim,

A dor, a saudade, a tristeza.

E se só rolar uma lágrima

De choro sentido será.

Mesmo que lágrimas não rolem,

Tristeza, saudade, dor,

Em mim hão-de se fartar.

 

Eu até queria choramingar

De dor, saudade, tristeza,

De vergonha, desprezo ou pudor.

E necessito clamar

Por este insensato e insano

Prazer de tanto te afamar.

 

E olha Chopotó

Que em tuas águas escuras e poluídas

- escumas de desamor -

Inda me banho.

Riscam-me cicatrizes

Do des-sorrir de um povo,

“Barão”, a te açoitar,

Em inúteis chacotas,

Despalavrear inconseqüentes,

Numa esquina torta.

 

E ouso sentido.

E oiço mordido murmurar,

Ecos de novouvir do Kôde falante,

Desditando semânticas,

Loiras pérolas do nosso divagar.

Assuntando madrugadas,

Limpidez que em nossos corações

Já não se constróem.

 

Amar Guidoval

Não é ter um beco ou saída,

Um clichê ou crachá,

Um título ou barganha,

Um sobrenome ou bengala,

Catituar postos ou virtudes,

Carimbar cartas ou contas,

Ensinar o bê-a-bá,

Possuir posses ou sítio,

Uma farta colheita,

Ou dez mil réis na caixa,

E mesmo cinqüenta tostões a juros.

 

Amar Guidoval

É simplesmente prescutar e palmilhar

Tuas ruas com o povo e tuas crendices,

Num amor humilde de prece à Sant’Ana.

03/11/81