Pedaços de meu violão

 (idos de 1975-1976)

 

Eu fui fazer

uma serenata pra ela

no morro, na boca da favela.

A lua cor de prata,

do firmamento

me ouviu gritar socorro, (todo o meu tormento)

sentiu meu sofrimento.

 

Tudo começou

por nos pedir maconha, (quando nos pediu maconha)

Mas eu falei,

cabra que trabalha

e possui vergonha

pita cigarro de palha

e não faz cerimônia.

 

Por causa de três palhaços

Meu violão ficou aos pedaços

Crioulos arrepiados

Fizerem meu amigo Téia

Correr como veado e

Tremer como véia.

 

E disso tudo restou

Como recompensa

Uma tamancada no ouvido

a vergonha, a ofensa

de apanhar sem ser ter batido.