Idéias Secas (07/10/83)

 

Agreste sertão a nossa consciência

onde a água da sensatez não rega

e a pobreza de nossa clemência

encena a nossa dor seca, cega.

 

Mormaço de paz, esta ventania,

que nos açoita com espinhos de cactos

e nos espicaça com falsa alegria

destemperando ritos e fatos.

 

Vertigens, vorazes, vis,

venta no oásis de nossa solidão.

em enormes e disformes brasis

de fome, de sede, morre a união.

 

Em busca do poço da verdade

nossas raízes insurgem sós,

o mundo lá fora muge maldade,

ruge a desgraça, cala-se a voz.

 

E o calor abrasa, intensifica

por fora da raia corre a emoção

por dentro da raiva, sempre fica,

o sangue, o vinho , a traição.